Ser solteira aos 30


 

Estou solteira há 8 anos. Para ser mais exata 8 anos e meio.
Não quer dizer que não tive relações amorosas neste intervalo de tempo. Apenas quer dizer que nenhuma relação teve verdadeira importância ao ponto de ser partilhada com a minha família e amigos.

Tenho 33 anos. Para a sociedade actual, o meu prazo de validade já está a chegar perto do limite.

Na realidade, não sou daquelas que se apega facilmente às pessoas. No início desconfio e depois sou uma jóia de pessoa.
Nas relações amorosas sou igual. Sou como o sistema legal americano, todos são culpados até provarem a inocência.
Eu desconfio de todos e não tiro as minhas proteções até conquistarem a minha confiança. Coisa difícil.
Não sou daquelas que se apaixona todas as quatro manhãs. Deve ser uma maravilha ser assim. Com o coração tão livre.
Então acontece o que deve acontecer.
Tenho mais de 30 anos, sou solteira, não tenho filhos… para alguns já sou solteirona. (O que vale é que ainda não tenho gatos porque senão já estava lixada!)

Cada um tem a sua opinião. Na minha família e amigos próximos (afinal também são família) acham que sou “demasiado” exigente e também demasiado chata .

Um ou dois ex já me disseram que pararam de me convidar para sair porque acharam que eu nunca iria ficar com eles. Na realidade eu até os achava interessantes mas o facto de eles pensarem assim arrumou logo o assunto.

O meu melhor amigo e a minha melhor amiga acham que eu só escolho manequins para sair. Eu não acho que escolho manequins. Sim, tenho tendência a gostar dos bonitões. Mas quem diria não a uma mala Hermés se a outra escolha fosse da H&M?
Sou balança, daí sou sensível à beleza.
E já agora que estou solteira.. posso aproveitar os bonitos que me aparecem… assim um dia se acabar com um menos bonito (que me fará a mais feliz do mundo) já não terei aquele desejo do bonitão.

Há pouco tempo acabei uma história que no papel tinha tudo para correr bem. No papel. Até era bonitão vejam lá!
Quando acabei, pensei: será que sou mesmo demasiado exigente?

Mas não. Não sou demasiado exigente. Só sou exigente porque aos 33 anos já sei quem eu sou e o que quero. Ser exigente dá-me a liberdade de decidir que hoje posso ser solteira e feliz em vez de estar acompanhada e infeliz.

A minha liberdade é o poder de conseguir ser solteira aos 33 anos e ser feliz e realizada com isso.