Resoluções 2019 #2

Em 2018 já tinha alterado bastante os meus hábitos de compra, no que toca ao vestuário. Comprei menos, usei mais roupa que já tinha, há anos, de maneira versátil. E, para ser sincera, quase tudo o que vos mostrei no blog foi-me emprestado por lojas e no que toca ao fast fashion, devolvi 75% da roupa (os truques que uma blogger tem de ter).

Em 2019, vou me dedicar a fazer compras mais conscientes.

Andei semanas a pesquisar para vos fazer um resumo sobre a industria têxtil, li e vi vídeos para encontrar a melhor forma de abordar este assunto.

Na realidade, a minha segunda resolução era simplesmente parar de comprar roupa « made in China », mas quanto mais pesquisava mais dava conta que nem tudo é assim tão fácil.

 Stop ao « made in China »

A vontade de querer parar de comprar roupa, calçado e acessórios « made in China » foi simplesmente para tentar reduzir o meu impacto de carbono.

Ao longo da minha pesquisa, dei conta que parar de comprar « made in China » não ia ser assim tão fácil. Na realidade, o rastreio da origem da roupa está cada vez mais difícil. Ou seja, mesmo que as marcas coloquem o #madein nas etiquetas, não sabemos de onde vem a matéria prima para a fabricação da roupa.

Pessoalmente já não consigo entrar numa Massimo Dutti onde tudo está cada vez mais caro e « made in China », tal como a Maje e outras grandes marcas.

Assim, mesmo comprando uma camisola #madeinportugal, o mais provável é que o algodão venha da Índia (6.3 milhões toneladas em 2018), China (5.9 milhões toneladas em 2018) ou dos Estados Unidos (4.5 milhões toneladas). Portanto o nosso produto feito em Portugal já viajou imenso (em média 40.000 km) antes de ser produzido em Portugal o que implica um impacto de carbono enorme.

Qual é a solução?

Não temos. Podemos tentar comprar roupas de pequenos criadores nacionais, comprar roupa em segunda mão, comprar MUITO menos mas melhor e sobretudo tentar comprar roupa com algodão biológico ou reciclável, para limitar a produção de algodão que requer imensa água (por exemplo, para ter algodão para uma camisola, serão usados 2700 litros de água).

Porque temos de comprar menos? 

Sabiam que a produção de algodão triplicou nos últimos 15 anos?

Este aumento de produção vem do efeito « Fast fashion », como por exemplo do grupo Inditex, que faz com que «precisemos» de comprar as últimas tendências todos os 15 dias para estarmos « na moda ». A maioria desta roupa não tem muita qualidade e acabará no nosso armário, sem usarmos mais a peça de roupa, no espaço de 3 meses. Daqui a 1 ou 2 anos vamos deitar fora esta roupa, que vai ser destruída.

Para evitar este processo, vamos apostar no mercado de segunda mão tanto para comprar como para « deitar fora » a roupa.

O mercado de segunda mão também é uma solução que já está muito presente em outros países e permite dar uma segunda ou terceira vida à roupa a preços baixo.

Em Portugal já começam a aparecer alguns sites tal como a Micolet e algumas bloggers fazem vendas online, no entanto ainda temos muito caminho a percorrer.

Ps: esta foto é a prova do consumismo. Sim estes sapatos são todos meus, e ainda tenho mais. Isto é o resultado de uma colecção de sapatos durante anos! Não, não os uso todos, (a calçada Portuguesa é tramada) mas há cerca de dois anos decidi consumir menos e melhor. 

Não sou perfeita no meu consumo, nem o vou ser um dia mas penso que cada um pode ter um melhor equilíbrio: comprar peças de roupa básicas e duradouras, que vão durar anos, e que vamos combinar com peças mais fortes da estação, que vamos usar nessa altura sem ser um exagero.


Para entenderem melhor o ciclo de vida da nossa roupa, deixo este video que está muito bem feito. Apesar de estar em francês, acredito que vão entender melhor o problema da industria têxtil.